sábado, 12 de novembro de 2016

¿Eres, tú Maria? (Lourdes Miquel / Neus Sans)



¿Eres, tú Maria? faz parte de uma coletânea de aventuras da detetive Lola Lago. Tal coleção visa enriquecer e colaborar na aprendizagem de alunos da língua espanhola. Em virtude disso, trata-se de uma obra em linguagem de fácil compreensão, além de apresentar um enredo relativamente curto e simples.
            Certa madrugada de domingo, a detetive Lola Lago chega cansada de seu trabalho em Madrid. No entanto, ao perceber os gritos de uma mulher e duas pessoas estranhas no apartamento vizinho, logo nota que seus instintos a estavam comunicando que um crime poderia estar ocorrendo. Imaginando que fosse alguma briga de casal e vencida pelo cansaço de mais um dia, Lola resolve ignorar o fato e ir descansar. Pela manhã, Lola segue sua rotina de folhear o jornal diário quando é surpreendida pela chegada de uma ambulância, bem em frente onde havia ocorrido o fato daquela noite. Pouco depois chegaram também a polícia e os inspetores Lucas Gil e Penã. A partir de então, Lola fica sabendo que sua vizinha, Dona Lupe, havia sido encontrada caída no chão de sua casa, ferida e com marcas de sangue, porém não morta.
            Intrigada com o ocorrido, Lola passa a investigar o fato. Ao entrevistar sua vizinha Dona Elvira, toma conhecimento de que Dona Lupe era uma senhora idosa muito rica em dinheiro e joias devido à herança deixada por seu falecido marido Anastasio. Além do mais, vivia com uma sobrinha, Maria Requena, que tivera um passado trágico devido a um acidente acontecido na estrada para Burgos, um ano atrás. Esta se torna a principal suspeita do crime, já que havia desaparecido após o acontecimento. O acidente traria revelações importantes sobre a sobrinha de Dona Lupe, principalmente a descoberta da dupla identidade que Maria Requena mantivera desde então.
            Como é peculiar nas obras de ficção policial, também nesta o leitor poderá se divertir em tentar fazer a junção dos episódios, a fim de descobrir o verdadeiro vilão da história. Neste tópico, a obra consegue suscitar a curiosidade e o convite a imergir na história, tornando-se também um co-detetive junto a Lola Lago. No entanto, talvez tal expectativa possa vir a ser frustrante devido ao desfecho da narrativa. A suntuosidade com que o enredo é desenvolvido cria como condição necessária um final no mínimo surpreendente, imprevisível, revelador, etc.. No entanto, a conclusão que se apresenta soa como algo relativamente simples e pouco empolgante diante da expectativa que a história alimenta.

REFERÊNCIA LITERÁRIA
Título:   ¿Eres, tú Maria? (texto em espanhol)
Autoria: Lourdes Miquel / Neus Sans
Editora: Difusion
Ano:      1989
Local:    Madrid
Gênero: Policial | Suspense

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Os Mortos-vivos: sob a mira dos caçadores (v.11) (Robert Kirkman)



Após livrarem-se dos perigos ocasionados pelo aparecimento da manada de errantes, todos seguem viagem rumo a Washington e encontram um presente no caminho: uma van em perfeito funcionamento, cheia de colchões. Contudo, uma tragédia também ocorre: Ben, um dos gêmeos, mata seu irmão Billy, com ares de santa inocência. Logo se inicia uma discussão em que Abraham sustenta a ideia da necessidade de matar o garoto a fim de eliminar qualquer risco de que fato semelhante venha a ocorrer novamente. Nesse momento controverso, um novo personagem visivelmente perdido na mata encontra o grupo: o padre Gabriel Stokes. Posteriormente, durante a noite, Carl mata o menino Billy despistadamente.
               Em um descuido, Dale é capturado por três homens ao ir à mata urinar. No dia seguinte, o grupo sai a sua procura, considerando duas hipóteses: ele fugiu, atordoado pela morte dos gêmeos, os quais considerava como seus filhos; ele adentrou a floresta e foi atacado por errantes, já que sua mobilidade estava reduzida com a perna mecânica. De todos, Andrea era a mais aflita, uma vez que estava em jogo a própria vida do homem que amava. O grupo segue até que o Padre Gabriel lhes aponta a direção de sua igreja, onde poderiam encontrar alguns mantimentos e abrigo para repousarem. Durante a estadia lá, Andrea diz ter visto sombras correndo na floresta, o que indica que estavam sendo vigiados. De fato, outro grupo, cujo líder era Chris, estava no encalço deles.
       A nova ameaça agora era uma turma de canibais. Durante uma busca, Rick os encontra e eles tentam justificar que a fome é o que os leva a capturar humanos, decepá-los e comer as partes. Logicamente, tais argumentos não convencem Rick que demonstra desmedidamente sua fúria, deixando seus amigos alarmados, porém tranquilos quanto ao fim daqueles assassinos.
    O tema da religiosidade é retomado nesse volume quando, ao procurarem por Dale na floresta, Eugene e o Padre Gabriel discutem acerca da salvação daquelas civilizações que não conheceram absolutamente nada sobre o cristianismo. Seriam eles inclusos no seleto grupo que acolheu a mensagem salvífica e, portanto, cotados para viverem a eternidade junto de Deus? Paralelamente, a conduta do grupo de canibais dispõe acerca dos limites morais aceitáveis para a manutenção da própria vida. De fato, os transtornos causados pela infestação inexplicável do mundo vinham produzindo sempre mais uma onda de anomalias psíquicas que incitavam a práticas baníveis em uma sociedade comum. Haja vista não só o comportamento antiético dos caçadores como também das crianças, especialmente Ben e Carl. Quem antes era tido como inofensivo e indefeso agora estava se transformando em um serial-killer em potencial.
    O drama e o terror pareciam não ter fim. Contudo, já que Eugene conhecia a fórmula que gerou tamanha destruição, assim como o procedimento para extirpar de vez aquela praga, cabia aos sobreviventes a dura missão de seguirem firmes no propósito de chegar a Washington e salvar o mundo. Somente assim a ideia de um outro mundo possível poderia ter condições concretas de vir a tornar-se realidade.

REFERÊNCIA LITERÁRIA
Título:      Mortos-vivos, Os
Subtítulo: sob a mira dos caçadores (v.11)
Autoria:    Robert Kirkman / Charlie Adlard
Editora:    HQM Editora
Ano:         2012
Local:       São Paulo
Série:       Mortos-vivos, Os - Volume XI
Gênero:   Zumbi | Suspense | História em quadrinhos

Confira um trecho da série lançada pela AMC:

domingo, 23 de outubro de 2016

A Casa dos Macacos (Sara Gruen)



         Assim como seu best-seller Água para Elefantes, a autora Sara Gruen repete a fórmula de construir uma história em que os animais se misturam às pessoas em uma trama repleta de emoções.
         Isabel Duncan é uma cientista que trabalha em uma empresa cuja missão é realizar estudos sobre o desenvolvimento da linguagem com animais. Ela atua com uma espécie de macacos bastante singular, que havia aprendido a manifestar suas vontades através da Linguagem Americana de Sinais (LAS), de forma que conseguiam se comunicar perfeitamente com os humanos. Contudo, um atentado ao centro de pesquisas terminara no quase assassinato de Isabel e no desaparecimento de uma família de bonobos que a cientista considerava como parte de sua própria vida.
         Havia rumores de que o crime fora cometido por manifestantes da "Liga de Libertação da Terra" (LLT), que era contra a pesquisa com animais, embora tais estudos não trouxessem qualquer dano à integridade física e psíquica dos símios. A recuperação de Isabel fora lenta e deixara cicatrizes que somente o tempo e algumas cirurgias especiais iriam reconstruir. Contudo, a maior ferida era não saber o que fora feito dos macacos que ela aprendera a amar durante seu trabalho.
         No dia da explosão Isabel fora entrevistada por John Thigpen, um jornalista do New York Gazette. Ao saber do trágico acontecimento no centro de línguas dos Grandes Símios, ele passa a acompanhar mais de perto as investigações. John levava vida divida entre seu trabalho e o convívio com a esposa Amanda que era obcecada por uma carreira de escritora cujos livros não despertavam interesse nas editoras. Ao pedir demissão de seu emprego por causa de uma rixa com outra jornalista, John consegue trabalho em um jornal cuja opinião da imprensa não era das mais favoráveis, em virtude das manipulações que faziam com as notícias.
         Isabel descobrira que os macacos haviam sido vendidos pela universidade que bancava o projeto para um proprietário que pedira sigilo em relação à sua identidade. Paralelamente um novo reality show vinha prendendo a atenção dos espectadores na cidade: uma casa onde vários macacos eram filmados vinte e quatro horas por dia. Os comportamentos inusitados e, principalmente as várias cenas de sexo entre os animais eram o que justificava tamanha audiência. Para Isabel, no entanto, aquilo era uma afronta a tantos anos de dedicação. Ela iria descobrir que o dono daquele empreendimento era Ken Faulks, proprietário da Faulks Enterprises que lucrava com o programa "Casa dos Macacos". Ela e John Thigpen descobririam todo o plano armado em cima do atentado ao centro de línguas e seriam pegos de surpresa ao descobrirem que o principal colaborador daquela farsa era alguém muito próximo a Isabel.
         Esse livro é fruto de uma visita da autora ao Great Ape Trust, em Des Moines (Iowa). Sara se encantou de tal forma com o contato com os macacos que decidiu aprimorar os estudos em linguagem e sistemas de lexigramas a fim de conhecer um pouco mais sobre esses mamíferos tão semelhantes aos humanos. A obra é uma homenagem aos animais e um convite à convivência pacífica entre os homens e a fauna.

REFERÊNCIA LITERÁRIA
Título:      Casa dos Macacos, A
Autoria:    Sara Gruen
Editora:    Record
Ano:         2011
Local:       Rio de Janeiro
Gênero:    Drama | Reality shows 

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Inferno (Dan Brown)

            Mais um sucesso de vendas literário que foi adaptado para as telas do cinema, Inferno é a quarta aventura do ilustre professor de simbologia de Harvard, Robert Langdon, que consagrou Dan Brown como um autor de sucesso.
Os livros anteriores das aventuras vividas por Robert Langdon – Anjos e Demônios, O Código Da Vinci e O Símbolo Perdido – trouxeram temas polêmicos que atacavam diretamente a doutrina da Igreja Católica. Nesse novo volume, os aspectos da religião e do sagrado permanecem, porém dão à ciência o seu lugar de destaque na trama que a narrativa apresenta, de forma que a história possui uma teoria que é seu eixo central: o crescimento populacional e suas implicações para o futuro da humanidade.
Robert Langdon acorda em um hospital e logo se vê lançado em uma fuga desenfreada, tendo por companhia Sienna Brooks, médica superdotada e agente secreta. A amnésia que sofrera o impedia entender o porquê vinha sendo perseguido e principalmente o motivo pelo qual, por pouco, não havia perdido a vida em meio a um tiroteio. Nesse ínterim, Sienna lhe revelaria grande parte das últimas horas cruciais que Langdon não conseguia rememorar.
O grande artefato nas mãos de Robert dessa vez era uma cápsula que projetava o chamado “Mapa do Inferno”, uma pintura famosa de Botticelli, que retrata um dos capítulos da aclamada obra de Dante Alighieri, A Divina Comédia. Contudo, o mais intrigante era que a imagem havia sido adulterada, de forma que uma mensagem misteriosa pudesse ser vista: “Cercatrova”. Era o enigma deixado por um emblemático geneticista cujas ideias apocalípticas eram o motor da ameaça que os protagonistas tentavam evitar.
Bertrand Zobrist, morto por suicido na noite anterior ao dia em que toda a história se desenvolve, era um cientista que cria piamente na Teoria Malthusiana, segundo a qual o crescimento desmedido da população não seria acompanhado pelos recursos existentes no planeta para garantirem a sobrevivência de todos. Dessa forma, a solução, ainda que trágica, seria uma redução significativa do número de habitantes ou o impedimento de que novos indivíduos nasçam. Adepto ao transumanismo, tal corrente apoiava todas as mais avançadas tecnologias para que o ser humano pudesse atingir a perfeição. Dessa forma, um extermínio em massa talvez fosse a solução, em curto prazo, mais viável para expurgar o mundo.
As investigações de Langdon e Sienna levariam à descoberta de um possível vírus criado por Zobrist, que seria o início do processo de expurgo da humanidade. A Organização Mundial da Saúde (OMS) na pessoa de sua presidente, Dra. Elizabeth Sinskey, também tinha interesses na descoberta do local que Zobrist escolhera para disseminar seu agente infeccioso. Para tal, colocara o Agente Brüder, membro do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC) na cola dos fugitivos, confiada na capacidade intelectual de Langdon e na sagacidade da perspicaz Dra. Brooks.
A narrativa é cuidadosamente construída e enriquecida com aspectos históricos e geográficos minuciosamente pesquisados que fornecem maior credibilidade aos temas abordados. Assim como fez ao construir suas histórias tendo como espaço cidades famosas – Vaticano, Paris, Washington - como um acompanhamento de sua louvável criatividade, a história escrita por Dan Brown nesse livro brinda o leitor com a apresentação turística de mais uma importante cidade do contexto mundial: Florença. Literatura, arte e história dão os contornos de uma narrativa em que não falta suspense e principalmente informação. Não é por acaso que mergulhar em um dos livros de Dan Brown acaba por ser uma forma lúdica e ricamente prazerosa de aprender mais sobre a história da humanidade e o significado de alguns ícones que ela criou. Aqueles que esperam uma solução para o problema que a narrativa encerra, talvez se decepcionem com o final. Seria ele apenas um convite à reflexão ou uma janela para uma continuação ainda mais envolvente? Opiniões à parte, o certo é que o autor deixou seus leitores insatisfeitos com esse gosto de quero mais.

REFERÊNCIA LITERÁRIA
Título:   Inferno
Autoria: Dan Brown
Editora:  Arqueiro
Ano:       2013
Local:     São Paulo
Gênero:  Ficção científica | Suspense

Confira o trailer da adaptação para o cinema lançada em 2016: