segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Rangers - Ordem dos Arqueiros: ruínas de Gorlan (v.1) (John Flanagan)



            A série Rangers: ordem dos arqueiros foi criada pelo escritor australiano John Flanagan e tornou-se sucesso pelo mundo inteiro.
            Will era um garoto órfão que sempre sonhara em se tornar um guerreiro. No reino em que vivia, o barão Arald tornou-se seu protetor, uma vez que se compadecia dos filhos daqueles que morreram em batalha para proteger o feudo. Ao atingirem a idade de 15 anos, os órfãos que viviam no Castelo Redmont eram testados para que fossem designados para treinamento em uma das diversas tarefas do feudo. Contudo, sua baixa estatura e seu porte franzino fizeram com que Will fosse designado para uma atividade bem diferente daquela que sonhava. Por outro lado, Horace, que era outro garoto com quem tinha uma rixa declarada, fora designado para a Escola de Guerra, justamente devido a seu porte robusto, alimentando ainda mais a inimizade entre os dois.
            O destino, no entanto, foi generoso para com Will. Ele fora observado secretamente durante um tempo pelo arqueiro Halt, que enxergou nele as habilidades necessárias para que fosse admitido como aluno no aprendizado das flechas. As características do garoto foram confirmadas quando ele tentou, a qualquer custo, descobrir o conteúdo da carta de recomendação que Halt enviara ao barão, sendo descoberto por Halt. E assim, Halt tornara-se seu tutor, mesmo que seu gênio fosse um tanto excêntrico demais para as pretensões de Will.
            A Ordem dos Arqueiros era cercada de superstições, fazendo com que as pessoas pensassem que eram feiticeiros. Tudo se devia à habilidade que seus membros desenvolviam de movimentarem-se sem serem vistos com facilidade, além de camuflarem-se nos diversos ambientes. Nas guerras, serviam como espiões e como força auxiliar do exército principal e eram muito importantes, uma vez que a precisão com que manejavam suas flechas era essencial para uma investida bem planejada e eficaz.
            Um episódio marca profundamente esse primeiro volume da série. Durante uma caçada a porcos do mato, em que Will e Halt fizeram parte, Horace também participou. Contudo, ele fora supreendido repentinamente por um dos animais que o atacara com uma ferocidade implacável, capaz de destroçá-lo em segundos. Quando isso estava prestes a acontecer Will e Halt salvaram o aprendiz de guerreiro. O socorro imediato selou uma nova era de amizade entre os dois aprendizes em um nível de comprometimento nunca antes imaginado.
            Após um tempo em treinamento, o aprendizado de Will foi testado numa aventura muito arriscada. Ele, seu mestre e alguns ex-aprendizes, deveriam matar os Kalkaras, que eram criaturas horrendas habitantes das montanhas e, segundo rezava a lenda, possuíam olhos capazes de hipnotizar seus oponentes, enchendo-os de medo e tornando-os completamente inertes. No entanto, essa missão precederia outra ainda mais nobre. Deveriam evitar o assassinato do Rei Duncan por Morgarath, Senhor das Montanhas da Chuva e da Noite, que estava decidido a apoderar-se do trono de Araluen. Os sonhos de Will realizar-se-iam de forma muito precoce, ainda que ser exposto a tamanho risco pudesse significar o seu fim imediato ou seu reconhecimento como um grande arqueiro. 

REFERÊNCIA LITERÁRIA
Título:      Rangers - Ordem dos Arqueiros (I)
Subtítulo: Ruínas de Gorlan
Autoria:    John Flanagan
Editora:    Fundamento Educacional
Ano:         2011
Local:       São Paulo
Edição:     1ª
Série:       Rangers - Ordem dos Arqueiros - Livro 1
Gênero:    Aventura

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

The Walking Dead: momentos de calmaria (v.7) (Robert Kirkman)



Imersos no caos do apocalipse zumbi, o grupo da prisão vivencia tempos de calmaria. Lori recorda momentos vividos com o falecido Shane, antes do aparecimento de Rick no acampamento próximo a Atlanta; Gleen e Maggie casam-se em uma cerimônia improvisada e presidida por Hershel; todos se divertem em descontraídos jogos de basquete durante o dia e filmes pela noite.
            A escassez de recursos traz uma nova ideia ao grupo: encontrar o lugar chamado Estação da Guarda Nacional, onde provavelmente os capangas de Woodbury teriam pegado o forte arsenal de que dispunham. E assim, parte do grupo (Michonne, Gleen, Maggie, Tyreese e Axel) segue em busca de novos armamentos. Lá não só encontram o que precisavam, como também detonam o local a fim de impedir que o grupo rival aumentasse seu arsenal de armas. Contudo, enquanto retornavam, resolvem saquear um supermercado Wal-Mart e são surpreendidos pelos capangas do Governador. Mesmo passando um susto quando Gleen é baleado no peito (que estava protegido por um colete) os aventureiros conseguem eliminar todos os capangas e se põem de volta à prisão.
            Nela as coisas não são as melhores. Lori entra em trabalho de parto e, numa tentativa desesperada para manter o gerador funcionando, Billy se descuida e Dale é mordido no tornozelo por um errante. A situação não é mais trágica porque conseguem amputar o pé, antes que a infecção se espalhe. E assim, o grupo alcança mais uma vitória com o nascimento de Judith.
            Um treinamento de tiro em campo aberto é o cenário onde novamente o tema da religiosidade vem à tona. Enquanto Maggie mostra-se estritamente cética quanto aos ensinamentos bíblicos, confrontados com a dura realidade que enfrentam, seu pai Hershel reafirma o crescimento de sua fé, mesmo sem entender qual a melhor interpretação dos fatos deva ser dada, à luz dos ensinamentos da Bíblia.
            Quase dois meses já haviam transcorrido desde a fuga de Woodbury e tudo estava aparentemente calmo, sem nenhuma perda nesse período. No entanto, um dos membros carregava silenciosamente consigo sua angústia. Carol, que já havia tentado suicídio uma vez, consumaria seu trágico desejo ao se entregar a uma errante capturada para que Alice pudesse fazer alguns exames médicos.
            Levando-se em consideração o terror de todo o universo da série Os Mortos-vivos, em relação aos últimos volumes, esse traz uma tônica bastante leve, mesmo com os episódios terríveis que acontecem. O grupo que já havia passado por crises de desentendimentos, perdas irreparáveis, fome, frio e terror, agora lida com uma ameaça silenciosa e não menos cruel. Afinal, o Governador certamente iria promover sua revanche. E tão prolongada quietude poderia significar a necessidade de precauções para um poder de fogo arrasador que estaria por vir. Uma visão mais realista dos fatos permite uma crítica, no que tange aos sentimentos em relação à dor. O pé amputado de Dale, por exemplo, apresenta uma recuperação recorde, como se o personagem tivesse sofrido tanto quanto se houvesse perdido uma unha. Outro ponto diz respeito às reações sentimentais do grupo. Tudo é assimilado de forma muito rápida e pouco comovente. Após tantos volumes de perdas e arrasamentos emocionais, talvez seja importante que os autores frisassem também a questão psicológica dos personagens.

REFERÊNCIA LITERÁRIA
Título:      Walking Dead, The
Subtítulo: momentos de calmaria (v.7)
Autoria:    Robert Kirkman / Charlie Adlard
Editora:    HQM Editora
Ano:         2006
Local:       São Paulo
Edição:     1ª
Série:       Mortos-vivos, Os - Volume VII 
Gênero:    Zumbi | Suspense | História em quadrinhos

Confira um trecho da série lançada pela AMC:

 

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Cinquenta Tons de Cinza (Erika Leonard James)



Mundialmente famoso pelo conteúdo picante, a contracapa do livro já traz o alerta de que é uma obra não recomendada para menores de idade. Contudo, as insinuações eróticas que o livro sugere competem com os conflitos psicológicos vividos por suas personagens, fornecendo elementos importantes para uma análise mais substancial sobre um relacionamento heterossexual.
Anastasia Steele e Karen Kavanagh são duas estudantes prestes a se formar que dividiam a moradia e eram muito amigas. Tão amigas que, tendo uma entrevista agendada com um grande executivo e, diante da indisposição da amiga por causa de um resfriado, Anastasia decide ajudá-la indo em seu lugar. Ela não conhecia absolutamente nada do ramo em que o magnata atuava e nem sobre sua vida pregressa, de forma que ia apenas munida daquilo que Karen lhe informara. O primeiro contato logo desperta nos dois uma atração que pediria outra oportunidade para se conhecerem melhor.
Socialmente falando, a distância entre Steele e Christian Grey era enorme. Enquanto ela era uma estudante que dependia de seu emprego em uma loja de ferramentas para manter seus estudos, Grey era dono de uma fortuna considerável e presidente de uma multinacional de peso. No entanto, a garota possuía os atrativos suficientes para que o magnata se identificasse profundamente com ela, ainda que essa identificação não correspondesse exatamente aos anseios que um e outro alimentavam. Enquanto Anabelle o concebia de forma essencialmente romanceada, Christian via nela um objeto sexual incrivelmente atraente. É justamente essa divergência que irá permear todo o relacionamento entre os dois, muito além de todos os encontros extremamente picantes que ocorrem em variados momentos do livro.
Com uma personalidade absolutamente controladora, Grey faz uma proposta a Steele, sob pena de colocarem um ponto final em seus encontros. Ele propusera a ela um "Pacto de Confidencialidade" que seria formalizado através de um contrato. Esse contrato estabelecia uma relação entre dominante e subordinada, que possui deveres essencialmente a serem cumpridos por esta. Algumas das cláusulas ainda faziam referência ao Quarto Vermelho da Dor: um ambiente equipado com um arsenal de instrumentos eróticos capazes de potencializarem o orgasmo e fornecerem relações ainda mais eletrizantes. O ricaço teria satisfeitos seus anseios mais profundos por relações sexuais apimentadas enquanto a garota seria correspondida em sua busca por um romance platônico, além de ser agraciada com bens materiais que suas parcas economias jamais seriam capazes de comprar. Christian buscava a satisfação de seu ego ninfomaníaco enquanto Ana queria algo recheado de mais romantismo e compromisso. Contudo, Ana via-se perdida diante dos sentimentos que nutria pelo ricaço.
A trama vivida pelos personagens expõe diretamente seus conflitos mal resolvidos. Christian era completamente averso ao toque, de forma que, em todas as relações ele teria que manter o total controle da situação, evitando ao máximo a intimidade. No decorrer da trama, fica claro que tamanha fobia era fruto de uma experiência traumática que tivera e que lhe munira da necessidade de se manter no polo ativo em todos os seus empreendimentos. Por outro lado, Anastasia era tímida e passiva. O status de Grey oferecia-lhe toda a segurança e conforto que procurava. Todavia, os sentimentos que nutria por ele iam na contramão do acordo assinado, de forma que ela se via dividida entre o sonho de um futuro feliz e a desilusão da própria realidade.
A história em si, constitui-se em uma temática enfadonha de um conflito amoroso desigual e absolutamente platônico. Mesmo assim, é indiscutível que o livro figura como um dos campeões de venda da literatura contemporânea, principalmente junto ao público feminino. Talvez tamanho sucesso se explique basicamente por dois fatores: Christian corresponde perfeitamente ao imaginário feminino de um homem ideal: rico, bonito, famoso e romântico (ainda que este último seja interessado!); a autora é ousada ao explorar de forma tão natural as diversas cenas de sexo, com detalhes precisos e graduais, alimentando um imaginário erótico tão sonhado por muitos casais atualmente. O interesse pela continuação da trilogia fica por conta dos mistérios do passado de Christian que não são claramente abordados nesse primeiro volume.

REFERÊNCIA LITERÁRIA
Título:    Cinquenta Tons de Cinza
Autoria:  Erika Leonard James
Editora:  Intrínseca
Ano:       2012
Local:     Rio de Janeiro
Edição:   1ª
Série:     Cinquenta Tons - Vol I
Gênero:  Romance | Erótico

Confira o trailer da adaptação para o cinema lançada em 2015: