quarta-feira, 8 de abril de 2015

Os 300 de Esparta (Frank Miller / Lynn Varley)



             Inicialmente essa graphic novel foi lançada em cinco pequenas edições. Posteriormente, a editora Devir lançou-a em formato widescreen (livro horizontal). Roteirizada por Frank Miller e colorida por Lynn Varley a obra retrata um evento histórico e lendário: a Batalha das Termópilas. A produtora norte-americana Legendary Pictures lançou em 2007 um filme bastante fiel ao enredo da história em quadrinhos.
            O relato acontece em 480 a.C. durante o período das Guerras Greco-pérsicas. Com a expansão do Império Persa em oposição aos interesses comerciais das cidades gregas, o conflito tornou-se inevitável. Os gregos eram cada vez mais oprimidos e frentes de resistência surgiam. Contudo, o exército persa era temido por seu vasto número de soldados, os quais eram conhecidos como Imortais. Mesmo assim, um grupo de 300 soldados espartanos liderados pelo Rei Leônidas resolve marchar rumo ao enfrentamento mais corajoso e cruel de suas vidas. Desde pequenos, os meninos de Esparta eram submetidos a um rigoroso treinamento que lhes aguçava a raiva e o ódio. Aprendiam a enfrentar os perigos das ameaças de animais selvagens, bem como suportar o frio, a fome e o medo. Tudo isso visava provar-lhes a coragem e a resistência.
            Em uma primeira proposta de rendição o rei Xerxes I enviara à Esparta um mensageiro. Leônidas ignorou a oferta assassinando o arauto. Com isso o conflito se instalara. O rei espartano decide então consultar os éforos - sacerdores dos antigos deuses - e esses lhe advertem que respeitasse a Carneia - uma importante festa religiosa em homenagem ao deus Apolo – e desistisse do ataque. Lêonidas vai contra a recomendação e parte com seu pequeno exército rumo ao desfiladeiro das Termópilas (ou Portões de Fogo) sem temer a contra-ofensiva persa que marchava em duas frentes: os exércitos por terra e a frota marítima oferecendo suprimentos. Durante o caminho um grupo de árcades soma-se ao exército grego. O Rei Leônidas intencionava derrotar os persas beneficiando-se da geografia grega, encurralando-os na única passagem que tinham para entrar em seus territórios. Porém, um soldado aleijado de nome Efialtes descarregaria sua raiva por meio de uma traição, já que Leônidas o recusara a juntar-se ao corpo militar, por considerá-lo incapaz de levantar o próprio escudo. A batalha se estenderia por três longos dias e noites, em um evento épico que marcaria a história pela luta da minoria contra a maioria.
            A grande marca dessa graphic novel é o a batalha desigual entre os exércitos grego e persa. Mesmo assim, a ênfase dada ao rigoroso treinamento que os espartanos tinham desde pequenos e sua força brutal durante os combates, criam o clima de suspense necessário para que a narrativa se torne ainda mais emocionante e pincelada de contornos míticos. Um destaque interessante também é a quando Leônidas recomenda que seu capitão Dilios não vá à batalha e sim fique para narrar o conto da vitória de Esparta à posteridade. Com isso, os autores recontam o fato histórico com uma vivacidade tamanha, capaz de fazer com que o leitor se identifique muito com o personagem principal (o rei Leônidas e seus 300 soldados), na esperança de que saiam vencedores da grande guerra pela liberdade. 

FICHA LITERÁRIA
Título:            300 de Esparta, Os
Autoria:          Frank Miller / Lynn Varley
Editora:          Devir
Ano:               2006
Local:             São Paulo
Edição:           1ª
Gênero:          Épico | Guerra

Confira o trailer da adaptação para o cinema lançada em 2007: 

quinta-feira, 19 de março de 2015

La Hojarasca (Gabriel García Marquéz)

Publicado em 1955, La Hojarasca é uma novela que, pela primeira vez, aborda o cenário de Macondo, famoso na obra-prima de Gabriel García Marquéz, Cem Anos de Solidão.
Um fato é o disparo para que toda a história venha a tona, assim como a justificativa em volta da qual todo o discurso se origina: o falecimento de um homem. Até então poderia ser um fato comum, não fossem as circunstâncias de aparecimento daquele homem, assim como a imagem que o imaginário coletivo formulara dele.
A história que delineia as páginas desse clássico é construída a partir do ponto de vista de três pessoas distintas por suas gerações e vínculos familiares: o coronel, sua filha (Isabel) e seu neto. Desta forma, um estilo narrativo sempre em primeira pessoa, permite identificar quem é o atual falante através de suas impressões e visão de mundo. O coronel recorda toda a trajetória daquele homem, desde sua primeira aparição, tentando compreender os motivos para que tenha agido de forma não compatível com sua profissão e preferido a desaprovação popular. Por sua vez, Isabel destaca o temor pelo ódio do povo e as más impressões que aquela obra de misericórdia poderia provocar, visto que aquele era um homem desgraçado. Primeira vez diante de um defunto, o discurso do menino foca os fatos sequenciais à morte daquele homem, como a chegada a visão do corpo, o velório e a procissão do enterro.
Aquele homem havia aparecido em Macondo de forma repentina dirigira-se à casa do coronel, ainda na época em que sua esposa era viva. O coronel apiedara-se daquele homem taciturno e de poucas palavras e lhe oferecera pousada, sendo que, a partir de então, ele saíra de sua casa somente dentro do caixão. Algum tempo depois, descobriu-se que o misterioso indivíduo era médico e, em decorrência disso, dois fatos suscitaram o sentimento coletivo de ódio e rancor, que atacaria diretamente o coronel, ao desejar um enterro cristão para o infeliz. No primeiro, durante uma época de guerras civis, o médico negara prestar seus serviços aos feridos. No segundo, tendo-se envolvido com Meme, uma índia que servia à família do anfitrião, quando esta caíra em uma febre mortal, novamente o médico negou-lhe assistência, sem nenhum motivo aparente. Tamanha indiferença ao sofrimento alheio suscitou uma onda de revolta nos habitantes, de forma que viam com indiferença a todos aqueles que prestassem alguma ajuda ao médico, como se compartilhassem de sua natureza impiedosa.
Outros personagens secundários são abordados nas reflexões dos protagonistas: Meme, a mulher que teve um caso com o médico; Martín, esposo de Isabel; Adelaida, madrasta de Isabel; “El cachorro”, apelido dado ao padre que chegou a Macondo no mesmo dia em que o médico, e que era conhecido por suas ideias subversivas.
Do início ao fim, o trabalho com a questão do tempo é uma marca importante desse livro de Gabriel García. Ao mesmo tempo em que os fatos do presente ocorrem, as reminiscências do passado intercalam lembranças e impressões que denotam a representação de mundo dos personagens. Isso aponta traços de um realismo mágico, uma vez que joga com as diversas formas de manipulação do tempo, porém sem o desfocar de sua localização existencial na obra. Muito mais do que narrar fatos, essa técnica serve para acentuar impressões, de forma que muito da psique dos narradores é revelada.
       O fato inicial– a morte do médico – aguça curiosidade que acompanhará o leitor por todo o livro: quem era esse homem e porque sua morte significa tanto. O resto será um juntar de peças, como num quebra-cabeça literário em que o leitor pode desenvolver suas habilidades em desvendar a psique dos personagens do texto. Daí nasce outra consequência importante e magnífica: seria aquele homem de fato uma pessoa má ou aquele povo tornara-se mal ao não compreender o médico em seu ser mais profundo?

REFERÊNCIA LITERÁRIA
Título:        Hojarasca, La
Autoria:      Gabriel García Marquéz
Editora:      Debolsillo
Ano:            2008
Local:          Barcelona
Edição:        1ª
Gênero:      Drama

segunda-feira, 9 de março de 2015

Crepúsculo (Stephenie Meyer)


            O envolvimento afetivo entre seres humanos e vampiros é um tema que conquista milhares de fãs por todo o mundo principalmente por causa da saga mais famosa de todos os tempos que é iniciada por esse livro. Considerada um dos grandes clássicos da literatura do século XXI, a obra ganhou importantes prêmios como o Top 10 Livro para Jovens Adultos da American Library Association, além de liderar o ranking de best-sellers do New York Times e U.S. Today por várias semanas. No Brasil, a aceitação é geral, principalmente entre o público juvenil.
            Isabella Swan, 17, é uma jovem comum, não muito popular devido a seus problemas de coordenação motora e sua personalidade introspectiva. A separação dos pais fazem-na se mudar de Phoenix (Arizona) para Forks (Washington), onde viveria com seu pai, Charles. Sua mãe, Renée, desejava acompanhar o atual marido, Phil, já que ele era um jogador de beisebol do time da segunda divisão. A mudança de Bella tinha como objetivo também os estudos, já que teria novas oportunidades. Em relação à cidade anterior, Forks soava bastante estranha, uma vez que era bem menor, pacata, com um clima bastante frio e chuvoso que, no fundo, confere a trama um ar de maior suspense e sombra. Contudo, a boa recepção na escola aliviaria um pouco a monotonia, principalmente com os novos amigos Mike, Jéssica, Eric, Tyler e Angela.
            A chegada de um aluno mudaria as motivações de Bella em frequentar a escola. Edward Cullen parecia um tipo meio sombrio e bastante excêntrico. A dupla feita com ele durante as aulas de Biologia despertou o interesse da garota em conhecê-lo melhor, mas foi um epísódio inusitado que alimentou a certeza de que ele não era desse mundo. No estacionamento da escola, um carro havia perdido o controle e, quando Bella estava prestes a ser fatalmente atingida, eis que surge repentinamente a figura de Edward que a salva. O mais curioso é que Edward estava a uma distância impossível de ser percorrida em milissegundos e o amassado na lataria do carro teria deixado grandes ferimentos em seu corpo. Assim, a dúvida crescente não adormeceria facilmente no espírito de Bella até que ela faz descobertas sobre a origem dos poderes sobrenaturais de Edward. Aquele rapaz era nada menos que um vampiro.
            Um amigo de Bella, Jacob, a alertara sobre a fama dos Cullen naquele local, bem como o passado deles. Um passeio de final de semana com os amigos (inclusive Edward) em Port Angeles colocaria Bella em uma nova situação de risco e novamente Edward a salvaria. O fruto de tão inesperados momentos de heroísmo acarretaria em uma paixão crescente entre os dois. Bella então conhece a família de Edward e descobre verdades nunca antes vistas sobre seus pais e seus irmãos, que justificam o modo desconfiado pelo qual os habitantes de Forks viam os Cullen. Somente essa trama daria uma bela história de amor, mas a introdução de outra figura traria o tempero necessário para tornar a saga mais emocionante. Jasper era um vampiro rival que não resistia ao cheiro do sangue da moça e estava disposto a tudo para sugá-lo. Com a ajuda de seus aliados, Jasper forja o sequestro da mãe de Bella em Phoenix, deixando a garota enlouquecida. Contudo, a família Cullen se uniria para combater esse mal. Edward novamente teria que usar seus poderes para livrar sua amada das presas de um inimigo ardiloso e sagaz.
            Para além do mistério proporcionado pelas desavenças entre os vampiros, Crepúsculo é também um mergulho na intimidade de duas pessoas muito diferentes. Bella via em Edward o ideal de segurança que seu ar misterioso transmitia. Por outro lado, a garota mexia com os instintos do rapaz, uma vez que o cheiro de seu sangue era tentador para o vampiro. Nesse sentido, ela o ensina a domar seus apetites e educar seus desejos. A autora é prolixa ao se entregar extensamente à descrição dos ambientes, personagens, bem como os sentimentos experimentados por esses. Contudo, tal estilo literário parece conduzir o leitor e prepará-lo para os acontecimentos da trama, adornando-a com uma aura de suspense e romantismo. O livro foi adaptado para o cinema nos estúdios da Summit Entertainment e lançado em 2008.

 REFERÊNCIA LITERÁRIA
Título:        Crepúsculo
Subtítulo:   edição popular
Autoria:      Stephenie Meyer
Editora:      Intrínseca
Ano:           2009
Local:         Rio de Janeiro
Edição:       1ª
Série:         Crepúsculo - Livro I
Gênero:      Vampiros | Suspense | Romance

Confira o trailer da adaptação para o cinema lançada em 2008:



sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Operação Cavalo de Troia I: Jerusalém (Juan José Benítez)

            Em tempos nos quais a tecnologia avança exponencialmente, o autor desse livro traz uma proposta ousada e inédita: não só a possibilidade de voltar ao passado, como também os registros de que tal empreitada foi realizada. O próprio autor do livro é um dos personagens quando recebe estranhas correspondências de certo Major (seu nome não é revelado em momento algum), enigmático em todas elas. Assim, intrigado por tanto mistério, Benitéz decide investigar até o fim. Somente após a morte do Major, ele tem contato com um diário de bordo que revela uma das façanhas mais incríveis de toda a história da humanidade.
            O Major era membro das Forças Armadas dos Estados Unidos. Em uma espécie de diário de bordo, registrara todos os pormenores do projeto batizado como Operação Cavalo de Troia. Durante a década de 60, descobertas científicas mostraram ser possível realizar viagens no tempo ao desvendar a natureza dos “swivels”. Esses eram “entidades elementares” abundantes no cosmo e fundamentais para a formação da matéria e do universo. Por meio da inversão de massa e forçamento dos eixos do tempo dos swivels até uma data do passado, seria possível que um tripulante fosse transportado para uma era mais remota. Em decorrência disso, os cientistas norte-americanos construíram um protótipo chamado “berço” que seria o meio de transporte necessário para provar a veracidade de tamanha descoberta. Contudo, para qual momento da história da humanidade seria interessante empreender a jornada de teste? Por coincidir com uma das maiores questões de todos os tempos, a equipe decidira que a incursão-teste seria realizada para o tempo de Jesus de Nazaré, à época dos acontecimentos que fundamentam o cristianismo, no ano 30.
            A missão deveria ocorrer em sigilo absoluto. Para a implantação da base na região da Palestina, a equipe da operação camuflou o plano, ao fechar um acordo com os árabes para que fosse instalado um laboratório receptor de fotografias, quando na verdade seriam fixadas as bases de instalação do módulo do berço. O Major e outro tripulante seriam os “astronautas” a bordo do protótipo. Seu amigo Eliseu cuidaria e operaria o berço enquanto ao Major caberia a tarefa de se inculturar em meio aos palestinos, encontrar o círculo de amizades do Galileu e acompanhar-lhe os passos, durante sua última semana de vida. Contudo, a missão tinha um preceito ético que deveria ser observado severamente: o Major deveria agir como mero observador, evitando qualquer manobra que pudesse de alguma forma alterar o curso da história.
            A grande viagem ocorreu em janeiro do ano 1973 e deveria durar uma semana, coincidindo com os últimos dias vividos por Jesus antes de ser crucificado. O sucesso da partida deixou todos intrigados. O Major, assumindo o nome de Jasão, logo encontrou os primeiros judeus que lhe indicaram a direção para chegar à casa de Lázaro, fiel amigo que Jesus havia ressuscitado há poucos dias. O encontro com o nazareno não tardaria e Jasão se depararia com um homem alto, simples, alegre e cheio de entusiasmo ao falar do reino espiritual que estava próximo. Jasão logo se mistura a seus discípulos e prova-lhes a fidelidade ao mestre e a sua mensagem. E assim torna-se testemunha dos fatos que marcaram a crucificação e morte de Jesus, totalmente contrária aos preceitos da lei judaica (Misná), cujos sacerdotes diziam-se observantes estritos.
            Mesmo atestando a autenticidade do legado dos evangelhos com os fatos que vivenciava, Jasão confirmou que os historiadores e a interpretação dos exegetas equivocaram-se ao abordar alguns momentos dos primórdios do cristianismo. O episódio que ficou conhecido como “expulsão dos mercadores do templo” na verdade significou uma manobra de Jesus para atingir os próprios saduceus, acostumados a exorbitar os preços das oferendas durante a época da Páscoa. Outro fato desconstruído foi em relação à traição de Judas. Como ele era o administrador das finanças do grupo de discípulos, 30 moedas de prata pouco significavam perto do montante que era responsável. Sua motivação maior fora seu espírito ambicioso frente ao desprestígio que tinha, incrementado pelo destaque que o Mestre dava a Pedro, Tiago e João. Além do mais, os saduceus podiam facilmente silenciar o galileu e exterminar seus seguidores, mas Judas dificilmente aceitaria conviver com a ideia de fazer parte de um grupo fracassado. Quanto à mensagem cristã, Jasão conclui que Jesus pregava um reino de amor e compaixão que nasce no próprio coração do homem e não a observância rigorosa de um rol de preceitos eclesiásticos.
            Essa primeira parte de uma série de longos nove livros que compõem a coleção Operação Cavalo de Troia, exigirá do leitor bastante paciência e tolerância às inúmeras notas de rodapé e aos detalhes do enredo. Mesmo enriquecendo a leitura com traços históricos e culturais dos costumes daquele tempo, tamanha descrição torna a leitura um verdadeiro desafio. Por outro lado, é interessante notar a mudança de opinião por que passa o Major: de um descrente convicto, sente-se tocado pela imagem daquele homem tão humano que destoa bastante da visão transcendental e etérea que as religiões costumam retratá-lo. Daí emerge a mensagem que o autor busca transmitir por meio da ficção que constrói, de que os homens devem despertar para o reino de Deus que já está presente dentro do coração de cada um.

REFERÊNCIA LITERÁRIA
Título:        Operação Cavalo de Troia I
Subtítulo:   Jerusalém
Autoria:      Juan José Benítez
Editora:      Mercuryo
Ano:            2004
Local:          São Paulo
Edição:        1ª
Série:          Operação Cavalo de Troia - Vol. I
Gênero:      Ficção científica