segunda-feira, 21 de abril de 2014

The Walking Dead: segurança atrás das grades (Robert Kirkman)


            A descoberta feita pelo grupo parecia ser o melhor acontecimento durante aqueles dias de terror e pânico. Nada como ter um local cercado e bem protegido para que pudessem se abrigar e ficarem livres do apetite destrutivo dos mortos-vivos. Contudo, o lado de dentro da prisão estava repleto de zumbis e poderia até mesmo ser mais perigoso do que o lado de fora. Mesmo assim, Rick, Tyreese e Andrea desbravam o território para eliminar todas as ameaças. Embora não tivesse sido fácil, essa tarefa é concluída com sucesso mas, o que havia dentro da cafeteria os deixou muito espantados.
            Como se nada estivesse acontecendo fora daquele espaço, quatro prisioneiros - Dexter, Andrew, Axel e Thomas Richards - estavam tranquilamente a uma mesa. Dexter tranquiliza Rick dizendo que não são perigosos e o convida para conhecer os outros ambientes da prisão. Nessa ronda, descobrem que os Blocos A e B estavam infestados de zumbis e somente o Bloco C parecia um lugar menos perigoso para que se instalassem. Para Lori, no entanto, a desconfiança permanecia, principalmente por saber que um dos detentos estava ali pelo crime de assassinato. Dúvidas à parte, Rick decide voltar à fazenda de Hershel para avisá-los sobre aquele local seguro. Convencido, o fazendeiro decide se mudar com sua família para lá.
            Em outro plano, Julie e Chris estão cansados de serem tratados com tamanha vigilância pelo pai da menina. Após transarem em um dos cômodos da prisão, decidem suicidar, para que morram juntos e felizes. Todavia, Chris atira primeiro e mata a namorada, assustando a todos e deixando Tyreese aflito. A menina se transforma e Chris atira novamente, fazendo com que Tyreese o estrangule de raiva. Rick se admira que os jovens tenham se transformado mesmo sem terem sido mordidos e, às escondidas, decide voltar ao local onde Shane fora sepultado. Enquanto isso, Maggie e Gleen cortam o cabelo num salão que encontraram no presídio. Depois, Tyreese e outros membros decidem "limpar" outro ambiente que estava repleto de zumbis. Contudo, durante a operação, Tyreese é cercado por um grupo de errantes e desaparece em meio a eles.
            Vendo que todos estavam ocupados, Hershel decide procurar suas filhas mais novas, Rachel e Susie. Ao adentrar na barbearia, espanta-se com a visão das crianças decapitadas. Ao tomarem conhecimento do fato, o grupo desconfia de Dexter e o prende em uma cela. Rick retorna e Gleen o informa sobre os ocorridos. Rick deseja ver o corpo de Tyreese e, ao abrirem a porta, o veem sentado no chão, sem nenhuma mordida. Andrea vai à lavanderia quando é abordada por Thomas Richards. Quando ia gritar, Thomas ameaça cortar sua garganta. Mesmo assim, Andrea consegue escapar e Rick detém Thomas. Estando prestes a matá-lo, Lori o impede, mas Rick decide que o iria enforcar para a segurança de todos. Enquanto isso, Andrew conversa com Dexter e depois vai a outro pavilhão buscar armamento. Patrícia sente pena de Thomas e tenta soltá-lo. Porém, ele a ataca e Maggie o mata. Dexter traz o armamento e expulsa Rick e seu grupo da prisão para que as coisas não piorem.

REFERÊNCIA LITERÁRIA

Título:       Walking Dead, The
Subtítulo:  segurança atrás das grades
Autoria:     Robert Kirkman / Charlie Adlard
Editora:     HQM Editora
Ano:          2006
Local:        São Paulo
Edição:      1ª
Série:        Mortos-vivos, Os - Volume III
Gênero:    Zumbi | Suspense | História em quadrinhos

Confira um making off da série televisiva lançada pela AMC Television:

  

  

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Jesus, Filho de Deus e Filho de Maria (Luiz Carlos Susin)

jesus filho de deus e filho de maria 001          Frei Luiz Carlos Susin nasceu na cidade de Caxias do Sul (RS) no ano de 1949. Na Ordem dos Frades Capuchinhos, onde ingressou em 1968, estudou filosofia e teologia e doutorou-se nessa segunda pela Universidade Gregoriana de Roma em 1983. Compartilhou os frutos de seu conhecimento em diversas atividades pastorais e institutos como a Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana e o Instituto de Teologia da PUC-RS, ambos em Porto Alegre. Também contribuiu com o curso de teologia e espiritualidade da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), o Instituto de Teologia Pastoral do CELAM e o Instituto de Espiritualidade do Ateneu Antoniano de Roma. Dentre suas obras estão: O Homem Messiânico – uma Introdução ao Pensamento de Emmanuel Lévinas; Moral Emergente; Assim na Terra como no Céu; Aqui se conta – história de Nossa Senhora de Guadalupe.
          Como uma das personalidades mais intrigantes da história da humanidade, a figura de Jesus Cristo sempre foi alvo de admiração e contemplação, principalmente por aqueles que o veem como um baluarte para suas vidas. Porém, por diversos momentos dessa mesma história a divindade de Cristo foi superposta sobre a sua humanidade, de forma que ele fosse anunciado como um ser muito superior em sua essência, mesmo que revestido de carne frágil e corruptível. No enredo de sua obra, o autor busca contar a mesma história desse Jesus, já narrada pelos evangelistas e por diversos outros autores cristãos. No entanto, aqui se busca a conciliação da humanidade e divindade de Jesus, como se fossem dois planos indivisíveis e inseparáveis de uma mesma essência.
          Deus feito homem por sua encarnação no ventre de Maria, a vida do homem Jesus não foi vivida como se devesse ser superprotegida por algum fenômeno divino sobrenatural. Ele viveu como qualquer outro homem, sem nenhuma marca que permitisse sua imediata distinção perante as outras pessoas, por ser Deus feito homem. A índole de sua prática enquanto filho de Abraão e portanto, também judeu, é o que ocasionou suspeitas e discordâncias entre os mais entendidos da religião de seu tempo. Jesus viveu o judaísmo fazendo jus a sua missão como Messias esperado, bem como tentando purificar uma prática religiosa que aprendera a valorizar mais as expressões exteriores do que o cerne da mensagem: a vida do ser humano, em todas as suas dimensões. Desta forma, Jesus não hesitou em ser contrário à lei má interpretada quando a cultura de sua sociedade marginalizava os preferidos de Deus: pobres, endemoninhados, prostitutas, cobradores de impostos, doentes e leprosos. Foi por ensinar a ver Deus pelas feridas do próximo que Jesus foi perseguido, julgado, crucificado e morto. Porém, foi também por ser fiel à mensagem do Reino que ele ressuscitou e encorajou os discípulos a disseminarem sua palavra de salvação por onde fossem.
          Frei Luiz Carlos opta por uma análise da conciliação entre a pregação e os sentimentos de Jesus, enquanto Deus encarnado em corpo mortal e corruptível. Mesmo narrando sua vida no estilo literário de um ensaio, opta por ocultar exegeses aprofundadas para dar lugar a uma atitude mais contemplativa de Cristo. Desta forma, atinge seu objetivo de apresentar uma história vivida em meio a tantas outras, mas que modificou a raiz de todo o sofrimento, transformando-o em caminho de salvação.

REFERÊNCIA LITERÁRIA
Título:       Jesus, Filho de Deus e Filho de Maria
Autoria:     Luiz Carlos Susin
Editora:     Paulinas
Ano:          1997
Local:        São Paulo
Edição:      1ª
Gênero:     Cristianismo | Espiritualidade

segunda-feira, 31 de março de 2014

O Mundo Mágico do Senhor dos Aneis (David Colbert)


            A principal obra de John Ronald Reuen Tolkien (1892 – 1973) deixa qualquer leitor perplexo pela variedade de detalhes imaginados pela mente de seu criador, criando um verdadeiro universo. São povos, línguas, escritas, lendas, poemas, herois e inimigos, além, é claro, da própria trama em torno da guerra pelo anel de poder. Mas, onde Tolkien buscou inspiração para seu universo mitológico? Quais fatos ou histórias influenciaram o seu pensamento? O que queria Tolkien ao escrever uma obra tão rica? Essas e outras perguntas David Colbert busca responder, para que os fãs entendam um pouco mais a principal obra de Tolkien, como também as outras correlacionadas, O Silmarillion e O Hobbit.
            OSenhor dos Aneis levou 12 anos para ser escrito, sendo o primeiro volume publicado em 1954. Antes dele, a obra OHobbit encantara diversos leitores com as aventuras de Bilbo Bolseiro. Até essa obra, o anel não possuía nenhuma importância especial, conferindo apenas a invisibilidade a quem o usasse. Isso até Gandalf descobrir que se trata do Um Anel e revelar todo o perigo em possuí-lo.
            Os mitos e lendas foram algumas das principais fontes de inspiração de Tolkien. Na mitologia nórdica, o deus Odin possuía um anel poderoso e criara outros oito, a fim de lhe aumentarem a riqueza e o poder, controlando os reis. Odin também é um deus que esconde sua identidade, para que todo o seu poder fique oculto. Paralelamente, na história de Tolkien, Sauron possui um anel que encerra grande parte de todo o seu poder e cria outros oito para tentar os líderes dos elfos, anões e homens da Terra-média. Sauron também é um inimigo que se esconde em um olho que tudo vê para liderar seus exércitos. Diversos elementos da história de Tolkien recordam também o poema épico anglo-saxão Beowulf, composto por volta do século VIII. Os vários povos habitantes da Terra-média, divididos entre hobbits, homens, elfos, orcs, ents, huorns, anões, etc., também surgem a partir dos mitos e lendas. Um detalhe é a discórdia mítica entre elfos e anões, que Tolkien decide resolver pela amizade que surge entre Gimli e Legolas, forçados a combaterem juntos o Senhor do Escuro.
            O número correto de línguas da Terra-média é algo discutível, variando de 14 a 21. As mais usadas são o quenya (alto élfico) e o sindarin (élfico cinzento). Para inventá-las, Tolkien se baseou em seus conhecimentos de anglo-saxão (inglês antigo) e o finlandês. O quenya se mistura ao sindarin assim como o latim às línguas britânicas. Também foram inventados alfabetos, sendo os principais o tengwar (letras), uma espécie de letra cursiva como a gravada no anel e o cirth (runas), gravados ou entalhados.
            Um tópico interessante, é o porquê Tolkien não continuou protagonizando Bilbo na missão de destruir o anel, conforme iniciado em O Hobbit. Certamente algumas perguntas ficariam sem resposta e o impacto da história não seria o mesmo. Além do mais, a figura de Frodo, enquanto Portador do Anel, revela-o como um hobbit tímido, fraco, amedrontado e indefeso. É a necessidade e a beleza da superação, o que para Tolkien era algo admirável.
           São várias as nuances do Senhor dos Aneis, que o fazem um clássico ímpar da literatura contemporânea. O catolicismo de Tolkien é expresso de várias maneiras, transmitindo seu olhar sobre a fé. O contexto mitológico traz histórias geniosamente arquitetadas. A determinação de seus personagens transmite lições motivacionais de garra e superação. Enfim, é tarefa árdua definir em poucas palavras toda a riqueza literária que Tolkien criou. Por hora, podemos iniciar com uma palavra, um elogio louvável: fantástico.


REFERÊNCIA LITERÁRIA
Título:       Mundo Mágico do Senhor dos Aneis, O
Autoria:     David Colbert
Editora:     Sextante
Ano:          2002
Local:        Rio de Janeiro
Edição:      1ª
Gênero:     Curiosidades | Livros

sábado, 29 de março de 2014

A Párabola do Pai Misericordios: à luz do quadro de Rembrandt “O Regresso do Filho Pródigo” (Álvaro Barreiro)

parabola do pai misericordioso"Sede misericordioso como vosso Pai é misericordioso" 
(Lc 6, 36)

          O autor é membro da Companhia de Jesus. Este livro surge como uma síntese de sua experiência, extraída de uma série de retiros dados por ele nos últimos três anos antes de sua primeira edição.
          O objetivo de Álvaro Barreiro é contemplar, de forma orante, a parábola do Pai Misericordioso (Lc 15, 11-32) contada por Jesus, retratada no quadro de Rembrandt "O Regresso do Filho Pródigo", pintado em meados do século XVII. No entanto, outros aspectos são assinalados no que diz respeito à misericórdia de Deus nos evangelhos.
          O evangelista Lucas relata três parábolas dos perdidos: 1ª) A ovelha perdida (15, 3-7); 2ª) A moeda perdida (15, 8-10); 3ª) O Pai Misericordioso (15, 11-32). Nas três vemos a semelhança pelos temas da alegria pelo reencontro, a procura de Deus pelo pecador e a espera. Também se destaca o significado da refeição em comum, o que no tempo de Jesus adquiria um sentido especial de aproximação, confiança, paz, alegria, comunhão entre os convivas, no intuito de manter essa comunhão diante/com Deus. Três aspectos estão presentes nessas parábolas: 1º) Teológico: Deus oferece seu perdão a todos, especialmente aos marginalizados e excluídos da sociedade; 2º) Cristológico: a práxis de Jesus revela a sua experiência do amor do Pai, totalmente conforme seu ensinamento; 3º) Eclesiológico: a mesma experiência de Deus que levou Jesus ao encontro dos pecadores, deve levar a Igreja ao encontro dos marginalizados hodiernos.
          Álvaro analisa cada figura da parábola (e do quadro) separadamente. Ao pedir a partilha dos bens, o filho mais novo age conforme o direito judaico a ele conferido, de acordo com Lv 21, 17. É um processo de emancipação. A ruptura com o pai, que para o filho era sinal de liberdade, revela-se como uma partida para a alienação, a solidão e a perdição. Expressões da parábola como "pai distante", "patrão" e "porcos" servem para demonstrar a que grau de perdição o filho mais novo chegou. Aquela, remete a um distanciamento da comunhão familiar, uma perda de laços; essa, ao fato de o serviço a um patrão pagão ser contra a lei judaica; esta outra, devido a mesma lei considerar o porco um animal impuro, de forma que ao alimentá-los, o filho mais novo fazia crescer o que havia de imundo no mundo. Somente no auge de sua degradação ele "cai em si". Em sua reflexão, mesmo decidido a retornar, sente que perdeu a dignidade de filho e devia ser tratado como empregado, uma vez que "a 'ruptura' era irreparável, a 'culpa' incurável, a 'mancha' indelével" (p. 54). A decisão de retornar do filho é motivada, primeiramente, por uma questão de sobrevivência: "Quantos empregados de meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome!" (Lc 15, 17).
          Jesus contou as parábolas relatadas no capítulo 15 de Lucas como uma resposta aos fariseus, que eram incapazes de admitirem a convivência dele com os pobres e pecadores. A figura do filho mais velho representa, primeiramente esses fariseus, e depois, cada um que se fecha à misericórdia de Deus para com os perdidos. O rancor do filho revela um distanciamento do pai e um rompimento pela recusa, de forma que seu discurso demonstra a autosuficiência da justiça farisaica e sua carência afetiva, autocompaixão, inveja e ressentimento. Em virtude disso, sua figura é ambígua: ao mesmo tempo em que ele é o "filho bom" por observar todas as leis e obedecer ao pai, ele é o "filho mau" por deixar transparecer que o pai é injusto ao acolher o filho perdido.
          Alguns traços sobre a figura do Pai chamam atenção no quadro de Rembrandt: as mãos do pai - uma forte e viril, a outra de dedos finos e alongados, à altura do peito - recordam a imagem de um Deus pai/mãe; o manto, sinal da acolhida e proteção ao filho; o rosto do filho, semelhante ao de um feto, simbolizando que somos pessoas em formação. A postura curvada do pai simboliza um gesto de plena acolhida ao filho perdido, anulando seu passado e convidando-lhe a abraçar uma nova vida. Um paralelo da parábola do Pai Misericordioso com a do dono da vinha (Mt 20, 1-15) mostra que o Deus proclamado por Jesus não se comporta segundo as leis que regem as relações sociais, nem como a teologia dos escribas e fariseus. Por causa disso, ele é um Deus desconcertante.
          Tanto no relato evangélico quanto no quadro de Rembrandt, o desfecho da história fica em aberto. Jesus foi o verdadeiro filho pródigo que, não na condição de filho rebelde, mas sim de filho obediente, percorre o mesmo caminho de esvaziamento, a fim de conduzir a humanidade perdida ao retorno à casa do Pai. Cada um é convidado a fazer esse caminho de conversão.
          Ao escrever o livro, o autor deixa claro que deve ser lido em espírito orante, na busca por revisar a própria vida e, identificando-se com o filho mais novo ou o filho mais velho, voltar o próprio coração para o do Pai. O encontro com sua misericórdia deve impulsionar a assumir a paternidade espiritual, o qual é o comprometimento com os "perdidos", aliviando-lhes as penas e dores. Na figura do Pai Misericordioso, três expressões auxiliam a assumir a paternidade espiritual: a dor, que faz-nos sair das "zonas de conforto" e ir ao encontro dos "perdidos"; o perdão, que consiste na capacidade de amar ao outro, mesmo ante suas quedas repentinas; a generosidade, capacidade de restituir a dignidade perdida.
          Enfim, Álvaro Barreiro sugere três modelos úteis para a prática da misericórdia na contemporaneidade: 1º) a contribuição específica, na qual cada um, através de sua qualificações profissionais ou daquilo que sabe fazer, dedica tempo a atender às necessidades de outros; 2º) a alternância dos momentos, que convida a alternar sua vivência no "luxo" e no "lixo"; 3º) a encarnação, em que alguns se dedicam plena e exclusivamente à causa dos pobres e perdidos. Com isso, cumpre-se o que diz P.e Pedro Arrupe: "Todos pelos pobres. Muitos como os pobres. Alguns como os pobres".
 
BARREIRO, Álvaro. A Parábola do Pai Misericordioso: à luz do quadro de Rembrandt "O Regresso do Filho Pródigo". São Paulo: Loyola, 1998. 144 pgs.