sábado, 9 de fevereiro de 2013

Maria da Tempestade (João Mohana)

maria da tempestade          Em estilo novelístico o romance de João Mohana recria o cenário e o contexto de uma época em que os valores familiares tradicionais eram colocados acima dos ideais de independência e liberdade afetiva. Nesse horizonte se descortina a trama de uma história cuja vontade de realização de uma vida, revela-se no conflito com tais valores verticalmente estabelecidos.
          Bárbara Macedo Sena era a filha mais nova e única mulher de seis filhos do casal Godofredo e Elisa, em São Luiz, Maranhão, durante o século XX. Desde pequena era criada de uma forma superprotegida e ensinada a obedecer aos rigorosos preceitos da educação familiar. À respeito disso diz: “Não nos deixavam usar a liberdade de cujo uso depende nosso merecimento ou nossa condenação final; não tínhamos liberdade de usar nossa vida de acordo com nossa consciência. A consciência era a língua do povo, e tinha-se um medo enorme, quase pavor, desse objeto que nunca se via, porém se sentia, mais que tudo, o seu tremendo veneno” (p. 12).
          Crescendo nas circunstâncias rígidas do lar, certo dia Bárbara encontra com Guilherme e inicia o desfecho de uma paixão, atraída pelos seus olhos, e ela, atraída pelos seus cabelos. No entanto seus pais não concordam com o namoro por ele ser um rapaz pobre e cuja profissão não lhe garantia um sustento satisfatório. A situação se agrava mais ainda quando Guilherme se envolve numa briga que terminaria num assassinato cometido por um colega seu. A compra dos juízes faz com que Guilherme seja condenado a dez anos de prisão. Sob o risco de ser mandado para São Paulo, Bárbara se casa com ele na prisão, com a ajuda de seu confidente e especial orientador espiritual, P.e Tarjet. Bárbara seria sempre vista com indiferença pela mãe e as tias e retornaria à casa somente por ocasião da morte lenta e dolorosa do pai. No entanto, sempre seria apoiada por seu irmão Godofredo, estudante de Medicina em São Paulo, que também não concordava com as atitudes severas e radicais dos pais.
          Bárbara morava junto com freiras em um convento que foi palco participante de sua formação na infância e adolescência. Diante da comprovação da gravidez, vai morar com Cora Mendes, uma senhora idosa e sozinha viciada em um alucinógeno. Aí viveria uma das maiores tragédias de sua vida, quando, aos sete meses de gravidez, sofre um aborto após ter ingerido morfina na noite das dores do parto, visando um efeito calmante. Consternada, Bárbara aprisiona Cora Mendes visando libertá-la do vício que lhe fez perder a filha.
          Maria da Tempestade retrata a odisseia de uma vida cujos tormentos, sofrimentos e tristezas eram violentamente confrontados com a certeza de dar ouvidos à voz do próprio coração, para encontrar a felicidade. É a própria Bárbara Sena que conta sua história em 1ª pessoa. Um destaque especial para a vivacidade com que a personalidade dos diversos personagens é descrita e elencada no enredo da história. Uma saga intrigante que busca superar a visão enganosa dos guardas ingênuos de nossos lares.


REFERÊNCIA LITERÁRIA
Título:       Maria da Tempestade
Autoria:     João Mohana
Editora:     Agir
Ano:          1966
Local:        Rio de Janeiro
Edição:     
Gênero:     Drama

4 comentários:

  1. Esse livro é muito triste, mas lindo... li na adolescência e nunca me esqueci dessa história. Voltei a ler há alguns anos e me encantei novamente.

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    1. Renata realmente esse livro tem uma história muito comovente e tocante. As travessias que Barbara precisa fazer para ir em busca de seus sonhos revelam o equilíbrio que ela tinha ao lidar com seus próprios desejos e os laços criados com a família.

      Obrigado por seu comentário!

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  2. Esse livro é muito triste, mas lindo... li na adolescência e nunca me esqueci dessa história. Voltei a ler há alguns anos e me encantei novamente.

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  3. Um dos melhores livros que já li. Realmente linda a história, mas triste

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