quinta-feira, 12 de junho de 2014

Um Amor para Recordar (Nicholas Sparks)


           A história desse livro é uma bela amostra de que duas vidas diretamente opostas podem se cruzar e serem transformadas, mesmo que, a princípio, não tenham nada em comum. É também uma prova de que a vida dá muitas voltas e pessoas as quais não tenhamos nenhum tipo de admiração podem vir a se tornar protagonistas de transformação de nossas próprias histórias. A narração do texto é feita pelo próprio personagem, que revive suas memórias, quarenta anos depois dos acontecimentos que mudaram para sempre sua vida.
            Na pequena cidade de Beaufort, Carolina do Norte (EUA), no ano de 1958 dois jovens frequentavam o último ano antes da faculdade na escola High Beaufort. Cresceram na mesma cidade, porém nunca tinham convivido diretamente juntos. Landon Carter, 17, era um jovem rico e rebelde, preocupado somente em curtir a vida, impressionando seu seleto grupo de amigos com atividades cada vez mais ousadas. Em outro plano, Jamie Sullivan, 16, era filha do reverendo Hegbert Sullivan, e levava uma vida austera, focada nos estudos e nas atividades da confraria de seu pai. Os amigos de Landon ridicularizavam o modo de vida casta que Jamie levava e ele se rendia aos comentários, muitas das vezes sendo ouvido até mesmo pela própria garota.
            Um baile fora organizado na escola em que ambos estudavam. Landon achava que dificilmente ficaria sem par, mas todas as garotas legais já haviam sido convidadas. Além do mais, os dois estavam participando dos ensaios para a peça de Natal que seria apresentada na cidade e, obra do acaso, eram os protagonistas. Diante disso, por medo do vexame de ficar sem par, Landon opta por outra escolha não menos vergonhosa: ir ao baile com a garota santa que era vista sempre carregando uma Bíblia pela escola. Jamie aceita o convite, mas deixa a Landon uma estranha recomendação: que ele não se apaixonasse por ela.
            Os dias passados após o baile e a peça de Natal fizeram com que Landon fosse tendo suas opiniões a respeito de Jamie mudadas e seu coração adquiria cada vez mais uma afeição muito grande por ela. Tanto que já não se importava com os comentários maldosos e a zoação dos colegas. Landon não podia mais esconder seu sentimento apaixonante por Jamie e esta se esquivava, mesmo sentindo o mesmo por ele. Daí veio a terrível revelação que os uniria ainda mais: Jamie estava com leucemia e seu quadro clínico não era nada animador. Os episódios finais explicam o porquê do conselho que o autor dá ao seu leitor de que "no início iria sorrir, mas no final iria chorar". 
            A mensagem bem ao estilo de Nicholas Sparks que esse livro traz é mais uma prova de sua convicção de que um romance entre duas pessoas nunca é fruto do acaso e sim algo capaz de vencer as situações mais adversas da vida. É bonito ver a transformação que Landon passa, primeiramente porque adentra e compreende o mundo em que Jamie vivia e, depois, o porquê de sua fé inabalável, bem como a justificava para que ela sempre trouxesse uma Bíblia consigo. É a lição de que cada pessoa deve ser vista como tendo uma história, muitas das vezes, movida por forças que não estão sujeitas a seu controle. Outro ponto interessante a ser observado é o amor que se fortalece pelo sentimento de compaixão onde, mesmo que traga sofrimento, perda e dor, mantém-se firme e constante, dando significado à vida. Somente assim é possível sentir plenamente a força maior, capaz de superar barreiras físicas e subjetivas que é o amor. O livro foi adaptado para o cinema - embora com um roteiro que destoa bastante do enredo - e lançado em 2002 pela Warner Bros.


REFERÊNCIA LITERÁRIA
Título:       Amor para recordar, Um
Autoria:     Nicholas Sparks
Editora:     Novo Conceito
Ano:          2011
Local:        Ribeirão Preto
Edição:     
Gênero:     Romance | Drama

 Confira o trailer da adaptação para o cinema lançada em 2003:

segunda-feira, 2 de junho de 2014

90 Livros Clássicos para Apressadinhos (Henrik Lange)


            A vida de leitores assíduos normalmente confronta-se com um paradoxo possível, porém improvável: diante de milhares de clássicos antigos e contemporâneos quais escolher quando se deseja ler todos? Como controlar a desilusão ao entrar sedento em uma livraria, deparar-se com milhares de títulos interessantes e, de repente, dar-se conta de que é impossível ler todos eles? Esse livro rápido e cômico surge como um elixir agradável e prazeroso para ter uma noção mínima de 90 clássicos literários famosos.
            O objetivo do autor nessa obra é fornecer um pequeno aperitivo de obras, muitas delas, extensas e exaustivas. Com isso, calhamaços que demandariam a atenção dos leitores por diversas horas têm suas histórias resumidas em quatro quadrinhos que cabem numa página. Podemos citar alguns: A Odisseia (Homero), Drácula (Bram Stocker), Orgulho e Preconceito (Jane Austen), O Retrato de Dorian Gray (Oscar Wilde), O Senhor dos Aneis (Tolkien) até O Alquimista (Paulo Coelho), único brasileiro da lista.
            Henrik Lange trata as obras resumidas com um tom bastante hilário. De fato é muito engraçado ver como alguns livros clássicos, referências no mundo inteiro, fontes de inspiração para outros autores e para grandes adaptações cinematográficas, de repente são abordados de forma irônica, como se o escopo da história fosse algo não tão interessante quanto parece. Contudo, uma ressalva merece ser feita a fim de evitar dar margem à polêmica: os resumos apresentados das obras representam a opinião de um único leitor que, de forma alguma, deve ser encarada como a expressão da ideia essencial das obras.
            A utilidade desse livro sobre livros depende do propósito do interessado. Para alguns, talvez seja útil ao emitirem alguma opinião, quando interrogados acerca de algum livro que poderiam ter lido e não o leram. Para outros, talvez desperte o interesse ou mesmo fortaleça o ânimo em encarar aquele livro enorme que um amigo indicou há anos, mas que lhe pareceu nada agradável empregar horas a fio em esmiuçar suas entrelinhas. Não faltarão os que se deliciarão em recordar a mensagem essencial de alguma obra ou vê-la resumida em outra opinião, de uma maneira nunca imaginada. Há ainda aqueles que talvez se sintam ofendidos pela forma irreverente com que os quadrinhos retratam obras respeitadas mundialmente, ícones da literatura de todos os tempos, bem como o pouco respeito para com aquilo que autores consagrados quiseram transmitir com extensas histórias. Opiniões à parte, a verdade é que a postura do autor é realmente muito engraçada ao quadrinizar textos importantes, destronando-os de seu caráter sério e, muitas vezes maçante.
            Traduzido e adaptado pelo cartunista brasileiro Ota, 90 livros clássicos para apressadinhos é uma excelente indicação para quem busca cultura e conhecimento sem perder o senso de humor. Talvez seja até mesmo uma alternativa para a alta demanda de informação e o pouco tempo em obtê-las nos acelerados dias atuais. Depois de terminar esse livro, não será ironia dizer a alguns amigos que conseguiu destrinchar milhares de páginas em algumas poucas horas.

REFERÊNCIA LITERÁRIA
Título:            90 livros clássicos para apressadinhos
Autoria:          Henrik Lange
Editora:          Galera Record
Ano:               2010
Local:             Rio de Janeiro
Edição:          
Gênero:          História em quadrinhos | Livros

quinta-feira, 22 de maio de 2014

A Cidade do Sol (Khaled Hosseini)


Khaled Hosseini é afegão, nascido em Cabul. Em 1980 mudou-se para os Estados Unidos, onde vive atualmente com a família. Seu sucesso espalhou-se rapidamente, principalmente com a publicação do romance O Caçador de Pipas, best-seller traduzido em diversas línguas e vendido em mais de 40 países. Em um tempo que a ditadura da guerra agride a imagem do mundo oriental, os livros de Hosseini buscam salientar os bons valores da cultura afegã e enaltecer as lutas de um povo profundamente marcado pelo sofrimento.
        Uma história profundamente comovente, A Cidade do Sol é um romance que surpreende o leitor pelo drama vivido por suas personagens, que as conduz a um fim emocionante, mas profundamente redentor.
         Mariam é uma menina pobre que vivia pelos campos de Herat junto a sua mãe Nana. Apesar da mágoa de sua mãe, Mariam nutria grande amor pelo pai Jalil, que de vez em quando a vinha visitar, bem como pelo mulá Faizullah, a quem tinha como um grande conselheiro. Embora solitária, introvertida e marcada por um sentimento de inferioridade, Mariam era uma criança alegre e sonhadora, radiante principalmente quando seu pai a vinha visitar. Aos 15 anos, sofrera um forte golpe da vida quando interiorizara uma culpa dentro de si, pelo suicídio da mãe. Consequentemente, por ser filha ilegítima, Mariam é prometida às pressas em casamento ao sapateiro Rashid, 30 anos mais velho do que ela, em uma união que converteria em sofrimento o resto dos dias de sua vida em Cabul.
        Em outro plano, temos a figura de Laila, vizinha de Mariam em Cabul. Filha de pais carinhosos e dedicados, Laila cresceria em meio a todas as condições favoráveis para ter um grande futuro. Além do mais, tinha amigos e, um deles em especial, tornar-se-ia o grande amor de sua vida. Tariq era um menino esperto, mesmo limitado por uma prótese mecânica devido a uma perna amputada. Desde pequeno, Laila tinha sido sua melhor amiga e era com ela que passava seus dias divertindo. No entanto, Cabul era ceifada aos poucos pelos mísseis e um deles mudaria definitivamente o curso da vida dessas crianças. Já adulto, Tariq havia ido para o Paquistão e Laila tivera os pais mortos, às vésperas de sua partida para o mesmo destino.
        Tais acontecimentos fizeram com que a vida de Mariam e Laila se entrecruzasse, quando esta aceita casar-se com Rashid, por saber que estava grávida de Tariq e cuja criança viria a se chamar Aziza. Tendo se tornado a ninfa dos sonhos de Rashid, Mariam nutria um grande desprezo pela menina, vendo-a como uma constante ameaça. Além do mais, Mariam tornara-se o bode expiatório em que seu marido descarregava toda a sua fúria e desprezo por ela não ser capaz de conceber o filho que ele tanto desejava. Tal tarefa coube a Laila, que geraria Zalmai como filho legitimo de seu marido. No entanto, as circunstâncias da vida fariam com que as duas mulheres se tornassem grandes amigas, e tal sentimento de união se evidenciaria num dos acontecimentos mais desastrosos de suas vidas.
         Khaled Hosseini consegue construir de uma forma perfeita, os passos para o encontro de duas vidas inteiramente diferentes. O contexto da guerra dá ao romance ainda mais vivacidade e emoção, à medida que confronta o medo com a esperança de dias melhores. Desta forma, o resultado que temos é uma história triste e dramática, mas profundamente marcada pela doação, amizade, complacência e compaixão.

REFERÊNCIA LITERÁRIA
Título:           Cidade do Sol, A
Autoria:         Khaled Housseini
Editora:         Nova Fronteira
Ano:              2007
Local:            Rio de Janeiro
Edição:         
Gênero:         Romance | Guerra

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Batman: o cavaleiro das trevas (Frank Miller)

            O homem-morcego, heroi épico dos quadrinhos e do cinema, sempre foi concebido como um rival sagaz e temido por seus inimigos. Contudo, o que acontece quando o peso dos anos lhe cai sobre as costas e os crimes em Gotham City se tornam cada vez mais hediondos? Frank Miller recria o heroísmo de Batman nessa clássica edição de colecionador, dividida em 4 partes: 1ª) O retorno do morcego; 2ª) O morcego triunfa; 3ª) Caça ao morcego; 4ª) A queda do morcego.
            Dez anos se passaram desde que Gotham testemunhou a última aparição de Batman. Todavia, a onda de crimes na cidade torna-se cada vez mais avassaladora, principalmente pela ação da gangue dos mutantes. De sua mansão, o milionário Bruce Wayne acompanha as notícias dos jornais, acerca dos delitos que degradam a cidade por toda parte. Para ele, Batman tornar-se-ia apenas mais uma lenda que não fora capaz de dar conta da tragédia que é a vida real, não fosse o renascimento interior que experimenta, fazendo com que volte à ativa, mesmo aos 55 anos de idade e sob as advertências sempre precavidas de seu mordomo, Alfred.
            O cavaleiro das trevas abandona o desgaste que o tempo lhe inflingira para novamente brilhar como o justiceiro de Gotham, sempre motivado e assombrado pela morte de seus pais. Contudo, o cenário que a mídia lhe apresenta não é nada favorável: o comissário Gordon se demitira e, em seu posto, assumira Ellen Yindel, totalmente contrária à ação de Batman, cujo primeiro ato é a expedição de um mandado de prisão para o super-heroi. Mesmo com suas investidas espertas e sempre bem sucedidas na detenção dos criminosos, os noticiários o retratam como alguém que perturba a paz social de Gotham, através de crimes como invasão de domicílio, assassinato e fomento a desordem. Para justificar isso, a mídia ainda retoma o dossiê do caso Harvey Dent que, após cirurgias de reconstrução, deixara de aparentar o Duas-caras, mas continuava com sua natureza criminosa. Traz também a figura do temível vilão Coringa, que vinha se tratando em um sanatório e, segundo seus médicos, estava plenamente apto para ser reintegrado à sociedade. Alheio a isso, o escopo da missão de Batman era prender o líder da gangue dos mutantes. E isso quase lhe custou a vida, não fosse o auxílio de um personagem ímpar – Robin – que, hilariantemente, é apresentado sob a figura de uma adolescente.
            O retorno de Batman e suas novas aparições faz ressurgir o espírito maligno de outro velho inimigo: o próprio Coringa. Contudo, outros personagens marcantes da história do morcego também se encaixam no contexto: a mulher-gato, apresentada sob o nome de Selina; e o Arqueiro (Oliver) que, ao final contribui significativamente para o sucesso de Batman.
            Miller traz ainda outro impasse que a população vinha vivendo. O mundo estava sob a ameaça de uma guerra nuclear, devido a uma crise internacional, sendo que a extinta União Soviética ameaçava lançar uma ogiva nuclear na ilha de Corto Maltese. Estando essa missão além das forças de Bruce Wayne, a história traz à tona outro personagem central da DC Comics: Clark Kent, o Super-homem. O homem de aço ser tornara simplesmente um soldado especial à serviço do governo, sendo que sua ideologia ia na direção contrária àquela do cavaleiro das trevas. A crise internacional lançara a população norte-americana em um caos que era visível pelas ruas. Portanto, divergências à parte, ironicamente os dois super-herois deveriam unir suas forças para restabelecer a ordem: um detendo o míssil que destruiria Corto Maltese e o outro pacificando a onda de terror sobre Gotham. Era a chance do Super-homem se consagrar como o heroi universal. Paralelamente, Batman poderia imortalizar sua existência, mesmo que forjando sua própria morte e reunindo aliados para um novo começo.
            A história de Frank Miller desconstroi alguns dos fatos consagrados à respeito do homem-morcego, rompe com a sequencia do cavaleiro das trevas e cria uma espécie de desfecho alternativo para a lenda. Aos leitores mais fanáticos, o enredo talvez soe como uma deturpação do mito de Gotham City, com um final nada glorioso e pouco entusiástico. Contudo, é apenas mais um final para aquilo que entrou para a história como imortal e infindável. E até mesmo para o mordomo Alfred, a morte de Batman não satisfaz o apetite dos críticos: uma morte que, por si só, é "Não boa o suficiente".

REFERÊNCIA LITERÁRIA
Título:          Batman
Subtítulo:     o Cavaleiro das Trevas
Autoria:        Frank Miller
Editora:        Abril
Ano:             1989
Local:           São Paulo
Edição:        
Série:           Cavaleiro das Trevas, O
Gênero:        História em quadrinhos | Aventura

Confira o trailer da animação adaptada da obra, lançada em  2012:

TRAILER PARTE 1

TRAILER PARTE 2