sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Como se defender de ataques verbais (Barbara Berckhan)



            Não importa a situação em que estejamos inseridos, todos os dias estamos sujeitos a respostas desagradáveis que, por si só, já possuem um elevado potencial de causarem conflitos. Contudo, uma postura de confronto pode ser facilmente evitada por meio de técnicas que visem dar um basta na situação sem, no entanto, alimentar brigas e desavenças que culminem num diálogo de respostas ríspidas e desafetuosas.
            A autora trata desse momento importante da comunicação a que todas as pessoas estão sujeitas. Para responder a um comentário provocativo é importante se armar de um "escudo protetor" (que pode ser uma espécie de mantra mental), autoconfiança e conhecer algumas "técnicas de primeiros socorros" úteis em qualquer dessas situações. Tais técnicas perpassam por três posturas incisivas e inteiramente eficazes: 1ª) ficar calado e ignorar; 2ª) responder mudando de assunto; 3º) interromper com uma resposta breve e cortante. A partir dessas formas de reação, Barbara explicita algumas situações hipotéticas para frear ataques verbais desagradáveis.
            Uma "resposta desintoxicante" é eficaz na maioria dos casos. Trata-se de devolver a ofensa em forma de uma pergunta que faça com que o agressor se explique, de forma que ele fique em uma situação constrangedora para si mesmo. É importante também fazer uma análise do estado de espírito do agressor e expressar essas impressões para ele, o que poderá levá-lo a uma reflexão sobre suas atitudes. Contudo, há situações em que o interlocutor se encontra fora de seu normal, como quando está bêbado, irado ou fora de si, quando é preferível não alimentar o diálogo e esperar que ele se acalme. Ademais, é sempre importe expressar que ele o está ofendendo e deve pedir desculpas. Deixar claro o mau comportamento do outro também é demonstrar autoridade.
            As dicas propostas pela autora são fruto de anos de estudo sobre o comportamento das pessoas, enriquecidas pelos diversos seminários que ministrou, bem como por sua própria experiência cotidiana. Ela se baseia na filosofia milenar do aikido, que prega a reação harmoniosa e pacífica onde o praticante deve aprender a defender-se a partir do ataque do agressor. Algumas técnicas são: responder com gestos e expressões faciais, desviar, respostas monossilábicas, lisonjear excessivamente o oponente, falar claramente, responder com provérbios inadequados, aprovar firmemente, definir as regras, etc.. Nem sempre uma regra será aplicável a todas as situações, mas o que é mais importante, segundo a autora, é esboçar uma reação diante do comentário, a fim de que o atacante não se sinta à vontade para novas investidas, principalmente quando for inevitável encontrar-se novamente com ele. Algumas dicas são hilariantes pela reação que podem provocar ou mesmo pela situação embaraçosa que o atacante irá experimentar. Uma espécie de xeque-mate das relações interpessoais.
            Longe de ser mais um título de autoajuda, com suas fórmulas prontas e vastos depoimentos de pessoas felizes com a conversão que experimentaram em suas vidas, esse livro simples, direto e lúdico visa esmiuçar possíveis reações para situações constrangedoras e tensas que todo ser humano corre o risco de experimentar. Ao final, a autora apresenta alguns ficheiros básicos para que o leitor possa simular situações de ataques verbais e treinar as técnicas propostas. Enfim, a obra não incentiva o confronto e a desavença entre as pessoas. Por outro lado, ensina a delimitar o próprio espaço nas relações interpessoais evitando que "o tempo fechado" de outras pessoas quebre a paz e a harmonia que todos desejam cultivar.

REFERÊNCIA LITERÁRIA
Título:   Como se defender de ataques verbais
Autoria: Barbara Berckhan
Editora: Sextante
Ano:      2011
Local:    Rio de Janeiro
Gênero: Autoajuda | Comportamento | Psicologia

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Harry Potter e o Enigma do Príncipe (Joanne K. Rowling)



      As revelações trazidas pela profecia fizeram com que Harry Potter recebesse o apelido de "O Eleito" na Escola de Hogwarts. Gozações à parte, o garoto encontrava-se extremamente abatido pela perda do padrinho Sirius Black no ano anterior, algo que poderia ter evitado através dos aprendizados de Oclumência. Na escola, contudo, reinava um clima de insegurança. Com indícios suficientes de que Lorde Voldemort e seus Comensais da Morte estavam à solta, o Ministério da Magia reforçara a segurança dentro e fora dos limites de Hogwarts, além de promover a revista de todos os alunos, quando de sua chegada para mais um ano letivo.
      O novo ano escolar trazia novidades: os garotos poderiam cursar a matéria de "Poções" com o novo professor Horácio Slughorn, o qual Harry conhecera antes mesmo de chegar à escola. Por não possuir o livro necessário para a disciplina, Harry consegue um volume emprestado, o qual continha diversas anotações de um "Príncipe Mestiço" misterioso. Mistérios à parte, Harry consegue suas melhores notas e o apreço do professor nessa matéria, superando até mesmo Hermione, inconformada que o sucesso do amigo perpassasse o teste de poções cujo impacto dos efeitos lhe eram completamente desconhecidos. Por outro lado, a disciplina de Defesa Contra as Artes das Trevas também possuía um novo mestre: Severo Snape. Nessa matéria, Harry encontraria grande dificuldade por estar diante de seu professor mais detestável em Hogwarts.
      Nessa edição, os conflitos amorosos característicos da adolescência também ocupam o dia a dia em Hogwarts. Zombado por Gina, Gui e Hermione, Rony decide iniciar um namoro às pressas com Lilá Brown para provar a todos que não tinha problemas com as garotas. Por outro lado, Harry conserva suas esperanças de que um dia seus sonhos dourados com Gina tornar-se-iam realidade.
      Alvo Dumbledore convoca Harry para reuniões semanais que, segundo ele, eram de extrema importância. Nestas, os dois mergulham na penseira, onde Harry consegue revelações bombásticas sobre a morte de seus pais e a gênese do fenômeno do mal, Lorde Voldemort. Em contrapartida, caberia a Harry também fazer algumas descobertas úteis envolvendo Horácio Slughorn. Ademais, alguns sumiços repentinos de Draco Malfoy intrigavam Harry, uma vez que nem mesmo o Mapa do Maroto era capaz de localizá-lo. Não obstante, um atentado contra a vida de uma garota e, posteriormente contra Rony Weasley colocaria todos em estado de alerta, uma vez que a ameaça parecia não vir somente de fora, como também de dentro.
      Após obter conhecimento sobre as "Horcruxes", Dumbledore decide levar Harry para uma missão perigosa, embora necessária. As horcruxes seriam uma espécie de magia das trevas na qual o bruxo dividiria sua alma em quantas partes desejasse, visando perpetuar sua existência. Lorde Voldemort teria feito isso, de forma que era necessário encontrar todos os objetos que continham as partes de sua alma e destruí-los, a fim de derrotar definitivamente o maior vilão do mundo bruxo. A empreitada quase custara a vida do diretor de Hogwarts, mas, obediente Harry levara a missão até o fim. Todavia, nada se comparava ao que lhes esperava em seu retorno a Hogwarts quando encontrariam a escola invadida pelos terríveis Comensais da Morte. As artimanhas de Malfoy finalmente seriam reveladas, bem como a identidade do Príncipe Mestiço. Porém, um incidente provocaria o assassinato de Alvo Dumbledore, por um dos professores em que mais depositava sua confiança: Severo Snape. A continuidade do funcionamento de Hogwarts no ano seguinte estava ameaçada e a fúria de Harry movia-o a uma nova e mais nobre missão: derrotar definitivamente Lorde Voldemort para honrar a memória do maior diretor de todos os tempos que aquela escola um dia possuíra.

REFERÊNCIA LITERÁRIA
Título:    Harry Potter e o Enigma do Príncipe
Autoria:  Joanne K. Rowling
Editora:  Rocco
Ano:       2005
Local:     Rio de Janeiro
Edição:   1ª
Série:     Harry Potter - Livro VI 
Gênero:  Infanto-juvenil | Aventura | Fantasia 

Confira o trailer da adaptação para o cinema lançada em 2009:


sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

A Batalha do Apocalipse (Eduardo Spohr)



Em tempos nos quais a literatura fantástica arrasta milhões de fãs com seus personagens sob a aparência de bruxos, vampiros, anões, deuses e heróis, o Brasil pode se orgulhar com essa obra de um autor filho seu. Em um país onde a religiosidade é uma das principais marcas pelo mundo, Eduardo Spohr inova ao criar uma trama envolvendo entidades bíblicas se envolvendo em batalhas épicas. Sem dúvida, a obra não deixa a desejar quando confrontada com as histórias estrangeiras que mais fazem sucesso nos dias atuais.
Dos textos bíblicos, a história usa essencialmente as figuras dos anjos e arcanjos como personagens principais, mas não deixa de fazer referência às histórias mais elementares do texto sagrado, como a criação do universo, a Torre de Babel, o nascimento e morte de Jesus Cristo e, principalmente o anúncio feito no livro do apocalipse.
Os três arcanjos – Miguel, Rafael e Gabriel – ocupam lugar de destaque. Antes da criação do universo, a casta dos arcanjos havia sido concebida pelo Criador para servi-lo e proteger sua criação. Não eram seres dotados dos sentimentos tipicamente humanos, mas o orgulho e a dedicação à sua missão os tornavam soldados valorosos, ainda que inflamados de ciúme pelo tamanho amor que Deus dedicara aos "homens feitos de barro". E assim, Deus criara o mundo e descansara no sétimo dia... E justamente durante a hibernação do Criador (que, por sinal, durara toda a história da humanidade) é que acontecem os fatos que dão corpo àquela que seria a Batalha do Apocalipse.
O arcanjo Miguel era o guardião da sala que dava acesso ao recinto no qual o Criador repousava no plano etéreo onde viviam os celestiais. Contudo, sua mente se pervertera e o orgulho tomara-lhe o coração, de forma que se tornara uma ameaça não só aos habitantes do mundo espiritual como também aos seres humanos, fazendo com que eclodisse uma rebelião no plano etéreo, objetivando destroná-lo. Toda a atividade que acontecia no mundo estava intimamente ligada àquilo que ocorria também no plano espiritual. Todos acreditavam que uma batalha apocalíptica anteciparia o Dia do Acerto de Contas, quando o próprio Deus despertaria de seu sono e, vendo a maldade que se disseminara pelo universo que criara, novamente transformaria sua criação, destruindo todos aqueles que não aprenderam a conviver nela. No entanto, justamente nesse momento, o arcanjo Miguel intencionava tomar finalmente o lugar do altíssimo e submeter todas as castas do céu e do inferno ao seu domínio.
O anjo Ablon era um querubim renegado que fora condenado a vagar pelo mundo por sua rebeldia contra o arcanjo Miguel. Antes Primeiro General do exército celeste e único sobrevivente dos dezoito renegados, vivia agora refugiado no Rio de Janeiro e pressentia os sinais dos tempos, os quais indicavam a proximidade da batalha entre o céu e o inferno, que daria novos rumos à história humana. Em sua trajetória conta com o auxílio de Shamira, cognominada Feiticeira de En-Dor, que fora libertada da prisão de Babel, milhares de anos atrás, e por quem nutria grande afeto. Ablon recebe uma proposta tentadora de Lúcifer, o príncipe dos demônios, para que liderasse suas tropas contra os exércitos de Miguel na Batalha do Armagedom. Mesmo sabendo que anjo caído era sagaz e nada confiável, era a única forma sábia de possuir algum poder para enfrentar o arcanjo perverso e libertar a humanidade de um jugo nunca antes concebido.
O livro talvez suscite mais críticas negativas por parte daqueles leitores mais religiosos. A ideia de que Deus é um ser adormecido enquanto a humanidade segue seu curso é por deveras, inconcebível. Além disso, o sono do altíssimo coloca-o como alguém alheio a tudo o que está ocorrendo, como se nada o perturbasse em seu repouso sagrado. Além do mais, se Deus é o todo-poderoso, porque temer a ameaça de um arcanjo que está em plano inferior à sua grandeza. A obra de Spohr galga trilhas que requerem ligações lógicas entre os fatos, uma vez que é impossível dissociá-la da história bíblica conhecida, tomando-a como simples ficção. Contudo, a riqueza dos personagens e suas antologias povoam o enredo com uma densidade marcante. Tanto é que as páginas finais possuem um glossário para que o leitor não se perca no emaranhado de fatos, personagens e apelidos que a história apresenta.

REFERÊNCIA LITERÁRIA
Título:        Batalha do Apocalipse, A
Subtítulo:  da queda dos anjos ao crepúsculo do mundo
Autoria:     Eduardo Spohr
Editora:     Verus
Ano:          2011
Local:        Campinas
Edição:      15ª
Gênero:     Anjos | Ação